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O Futuro do Relato - Sumário da Conferência da Plataforma Reporting 3.0 em Amsterdam

29/06/2017

A BSD incubou em 2013 a Plataforma Reporting 3.0 que reúne as principais instituições, pesquisadores e consultores para discutir o futuro do movimento de relatórios corporativos. No seguinte artigo, Glenn Frommer, Sócio da ESG Matters Limited, resume os principais destaques da Conferência da Plataforma Reporting 3.0,  que ocorreu em Amsterdam em Maio deste ano.

 

A 4ª Conferência Internacional da Plataforma Reporting 3.0, organizada pela KMPG em sua sede Holandesa, foi realizada nos dias 30 e 31 de Maio. Acompanhada por mais de 180 profissionais de comunicação e da área financeira, a conferência gerou contribuições sobre as práticas de divulgação que mensuram a sustentabilidade baseado em contexto, apoiadas pela contabilidade multi-capital*, fluxo de dados contínuo e incentivo à construção de novos modelos de negócios sustentáveis.

 

A Plataforma Reporting 3.0 não procura desenvolver novos padrões ou diretrizes, mas sim catalisar processos de relato para estimular o surgimento de uma sociedade verde, inclusiva e aberta.

 

A conferência foi o ponto culminante de quatro anos de diálogo, encontros e colaboração, e lançou a versão final dos dois primeiros Blueprints (“Blueprint de Relato” e o “Blueprint de Dados”), dos quatro Blueprints que serão desenvolvidos. Também foi apresentada a primeira versão do “Blueprint de Contabilidade” e iniciada a elaboração do “Blueprint de Modelos de Novos Negócios”.

 

Palestrantes de peso

 

Jonathon Porritt, do Fórum para o Futuro, destacou na sua fala introdutória a urgência necessária para evoluir nas práticas de relato, de forma que represente uma verdadeira resposta aos nossos desafios ambientais; questionou se a nossa capacidade intelectual está sendo aplicada corretamente no movimento da sustentabilidade, chamou a atenção para o uso generalizado de "relatórios de sustentabilidade de negócios felizes e entusiásticos" e pediu mais foco em relatórios baseados em contexto.

 

Claudine Blamey, da Crown Estate, do Reino Unido, falou sobre o uso dos seis capitais através de uma metodologia de avaliação chamada "Total Contribution" (análise do capital financeiro, capital manufaturado, capital humano, capital social e de relacionamento, capital intelectual e capital natural) como os capitais descrevem o sucesso do negócio.

 

O GRI e o IIRC apresentaram suas contribuições para a padronização, harmonização e convergência dos frameworks. A GRI, agora com 20 anos, possui cerca de 10.000 usuários e se concentrou na necessidade de melhorar os relatórios baseados em contexto e em ativar sua base de usuários. O IIRC destacou o pensamento integrado e como isso cria um novo valor à partir dos seis ou múltiplos capitais.

 

O lançamento do Blueprint de Relato foi apoiado por Allen White da Tellus Institute. Allen, um co-fundador da GRI, destacou como o relatório de sustentabilidade evoluiu ao longo de 25 anos, como o mundo em mudança está impactando relatórios de sustentabilidade e o papel vital para a Plataforma Reporting 3.0.

 

As sessões de discussão concentraram-se em educar, defender e acelerar o uso do Blueprint de Relatórios. Exemplos e insights desafiantes foram apresentados pela BSI, DNV GL, True Price Foundation, BASF, WBCSD, ING, ABN AMRO e GRI.

 

Kate Raworth, da Universidade de Oxford, destacou "Como o ‘Donut econômico’ pode contextualizar relatórios corporativos" (“How Doughnut Economics Can Contextualize Corporate Reporting”). Esse modelo fornece um gráfico simples na forma de um “Donut” incorporando fronteiras sociais e planetárias para enquadrar o desafio de atender às necessidades de todos dentro da capacidade do planeta.

 

O lançamento do Blueprint de Dados também foi acompanhado por Allen White, que destacou o impacto de ”big data”, grande volume de informações e grande volume de insights. Ele alertou que a compreensão dos dados era de fato muito superficial e a provisão de dados detalhados sem sistemas e contexto era uma falha significativa.

 

As sessões de discussão sobre o Blueprint de Dados incluíram intervenções do Centro para Organizações Sustentáveis, do Artigo 13, British Telecom, Lockheed Martin, WWF, Radboud University, Deloitte e Guard Global. Insights sobre o uso de “Blockchain” e Computação Cognitiva foram os mais intrigantes.

 

O tema introdutório para o 2º dia foi apresentado por Wim Bartels da KPMG, com foco em "Contabilidade para o futuro que projetamos". Wim centrou-se no papel e nas conexões entre os relatórios financeiros, de gestão e de sustentabilidade, e como esses links evoluirão nos próximos 20 anos para tornarem-se prestação de contas de valor.

 

Excelentes sessões e discussões

 

A plenária forneceu informações do IIRC, WBCSD, EY e SASB. Eles comentaram sobre o status da profissão contábil e um melhor alinhamento dos relatórios corporativos e seu diálogo associado a esses relatórios. A necessidade de "unir os pontos" foi debatida em profundidade, e a necessidade de reorientar as atribuições da governança e do financeiro foi destacada.

 

Um rascunho do Blueprint de Contabilidade destacou a função de capitais múltiplos em prestação de contas, o uso de contabilidade de lucros e perdas integrada e balanços sociais. A necessidade de competências multidisciplinares e interdisciplinares também foi discutida e os desafios representados pelo papel de ativos tangíveis/intangíveis, monetização, materialidade e demonstrações de renda multi-camadas foram apresentados. A necessidade de relatórios narrativos também foi compartilhada.

 

As sessões de discussão forneceram intervenções do Centro para Organizações Sustentáveis, SAICA, Social Value International, NBA, SASB, Aegon, Kering, True Price Foundation e APG Asset Management. Houve muita discussão sobre o propósito da contabilidade e como representar contas verdadeiras e leais aos seis capitais.

 

O Blueprint de Novos Modelos de Negócios foi lançado com a introdução de Carolyn Hayman da Preventable Surprises. Ela discutiu a importância de obter as resoluções dos acionistas para se concentrar em questões de mudanças climáticas e ativos irrecuperáveis. A concepção de novos modelos de negócios foi fornecida por Nancy Bocken da TU Delft e Nathan Gilbert da B Corp Europe.

 

A sessão final da conferência apresentou as próximas etapas da Plataforma Reporting 3.0 que será focada em pesquisa, desenvolvimento, testes e treinamento. Os destaques da sessão foram o Teste Beta da Reporting 3.0, a parceria com facilitadores/consultores e os programas de alianças acadêmicas.

 

O relatório completo do evento e as apresentações dos palestrantes podem ser acessados no seguinte link: http://2017.reporting3.org/

 

* Contabilidade multi-capital: Contabilidade que contempla vários tipos de capitais.

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