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Blockchain e Impactos Sociais

Menos de uma década após serem apresentadas ao mundo, as criptomoedas alcançaram em escala global um volume financeiro (especulado) invejado em qualquer mercado de capitais. No entanto, não temos como prever o quanto as criptomoedas vão permanecer de fato como uma moeda de valor no cenário econômico mundial. A maior chance de longevidade cai sobre o “blockchain” – tecnologia disruptiva de registro e validação de transação (compartilhamento) de dados virtuais, que representa transações com valor financeiro (como o Bitcoin e muitas outras criptomoedas). O blockchain então virou fonte de inspiração de inúmeros projetos de grande benefício à sociedade em vários aspectos, e é com esse objetivo que este conteúdo foi produzido, com foco na ilustração de vantagens do uso do blockchain, sem entrar em detalhes técnicos e conceituais por se tratar ainda de um assunto complexo de pouco conhecimento geral.


O blockchain como recurso tecnológico possibilita uma grande quantidade de aplicações, algumas com nomes técnicos já estabelecidos pelo setor e outras podem ser identificadas pelo projeto referenciado com alto potencial de utilidade. Tais exemplos de aplicações são: o registro de propriedades e suas respectivas transações (smart property); o desenvolvimento de aplicativos descentralizados (Decentralized Applications ou DApps); auditorias permanentes; o desenvolvimento de contratos auto executáveis (smart contracts); institucionalização de pessoas jurídicas que realizam sua própria gestão (Decentralized Autonomous Organizations ou DAOs); mecanismos de financiamento; realização de micropagamentos; dinamização de preços; sistemas de reputação; aplicações tecnológicas de gerenciamento de precisão na agricultura; sistemas de governança independentes; e muitos outros. Ainda, por característica, os protocolos de blockchain podem ser de acesso público, como o Bitcoin, e acesso privado – ou permissionado – exclusivo para usuários conforme o objetivo do protocolo, são os casos dos protocolos DLTs (distributed ledger technology).


A característica de compartilhamento de dados acompanha uma tendência global que surgiu silenciosamente no mundo e hoje domina os principais mercados de tecnologia e consumo. Empresas como Airbnb, Uber, Amazon, Youtube, Wikipedia e claro, Google e Facebook, entre muitas outras [1], não tem a propriedade do conteúdo, serviço ou produto negociado que é compartilhado num grande banco de dados disponível aos usuários-consumidores.


“São negócios de serviços descentralizados, que além de seu resultado econômico para o negócio, tem gerado grande impacto positivo na sociedade, tais como, acesso à renda, distribuição econômica, acesso à informação, liberdade de expressão, produção cultural gratuita, comunicação instantânea e outros”, confirma o teórico social Jeremy Rifkin (2017) [2].


O blockchain tem alcançado reconhecimento cada vez maior por idealizadores de projetos e programadores. Fontes indicam mais de 86 mil projetos relacionados com a tecnologia do blockchain, com média anual de mais de 8 mil novos projetos [3]. Outras fontes, como o Fórum Econômico Mundial, antecipam que até 2025, aproximadamente 10% do PIB mundial será destinado a projetos de blockchain.


Ainda que proveniente do mercado de criptomoedas, o blockchain não precisa se limitar a uma operação financeira. Segundo a Outliers Ventures – umas das maiores empresas de investimento em negócios de blockchain – cerca de 35% de mais de mil startups de blockchain identificadas estão no setor de finanças e seguros, enquanto 44% representam os setores de informação e comunicação [4].



Dessa forma, os projetos de aplicações descentralizadas ou de dados compartilhados, têm um potencial de demanda por grande parte da população, desde que possibilitem a geração de um bem social, ou seja, atendam a um problema social percebido por uma sociedade.