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ATUALIZANDO SUA MATRIZ DE MATERIALIDADE APÓS A COVID-19


Como considerar os impactos da crise global de saúde em sua estratégia de sustentabilidade?

Como o mundo está em vários estágios de recuperação do impacto do coronavírus, fica claro que, embora haja um 'novo normal', as empresas pretendem voltar aos negócios o mais rápido possível. Como o Covid-19 afeta a estratégia de sustentabilidade da sua empresa e como isso deve se refletir em sua matriz de materialidade? Você deve descartar sua matriz antiga e reconstruir do zero? As pandemias deveriam aparecer nela?

1. Princípios de design para materialidade As avaliações de materialidade são a base de um bom relatório de sustentabilidade, permitindo que as empresas identifiquem questões de sustentabilidade que são importantes para seus stakeholders e para o sucesso dos negócios. É importante começar relembrando quais aspectos definem um tema material. Com base em padrões reconhecidos como o GRI, um tópico é material quando:

  1. Está relacionado impactos que a organização tem sobre a economia, o meio ambiente e a sociedade;

  2. Influencia significativamente a avaliação e as decisões das partes interessadas com relação a organização;

  3. Pode ser interno, ou externo as atividades da empresa, mas está ligado a ela por uma relação de causa ou contribuição.

Além disso, é importante que a matriz de materialidade tenha uma perspectiva de futuro e de novos cenários que vão influenciar os negócios. Segundo a CSR Europe e os dados do Coronavirus TRUELAB, a pandemia do COVID-19 fez com que temas se tornassem materiais em um curto período de tempo. Em outras palavras, o COVID-19 destacou a relevância do processo de materialidade ser dinâmico para as empresas. Este artigo explora vários dos fatores a serem considerados ao decidir sobre o impacto da pandemia em sua matriz de materialidade e se uma atualização seria apropriada.

2. Expectativas das partes interessadas A velocidade em que questões relevantes da atualidade se tornam materiais está acelerando. Trabalhos recentes mostram que o crescimento da evidência (informação, estudos científicos) sobre porque um problema deve ser material, somado à ampla difusão dos temas, leva a um aumento do ativismo das partes interessadas. Esse fato pressiona as empresas a apresentar resposta aos temas críticos para que não arrisquem perder clientes e funcionários realmente engajados. As partes interessadas, tais como organizações não-governamentais (ONGs), ativistas e grupos da sociedade civil, estão agora muito mais equipadas para impactar o desempenho de um negócio, muitas vezes antes que a maioria dos investidores tome consciência disso. Em um mundo hiperconectado, no qual as informações podem ser disseminadas ampla e imediatamente, movimentos como #Blacklivesmatter podem emergir e alcançar escala rapidamente, criando desafios legais, de marca, de recrutamento, retenção e outros desafios para qualquer empresa cujas políticas contra discriminação sejam inadequadas. A capacidade de antecipar as reações das partes interessadas às questões emergentes de sustentabilidade e como elas podem afetar um negócio e seu desempenho é, portanto, fundamental. Com relação à pandemia do coronavírus, certamente vão ocorrer alterações no eixo vertical da matriz de materialidade, já que as perspectivas e expectativas das partes interessadas em relação à empresa mudaram no cenário pós-coronavírus. Atender efetivamente a essas expectativas começa com a compreensão de duas dimensões principais: como as empresas estão respondendo agora e definir como as empresas devem responder no futuro. As partes interessadas externas podem esperar que a empresa intensifique suas ações nas comunidades locais onde opera, assuma mais responsabilidade como empregador, que coloque a saúde, a segurança e o bem-estar de seus funcionários em primeiro lugar. Os funcionários podem ter preocupações com a privacidade e estrutura de trabalho em casa. Já os investidores querem ver como a empresa é resiliente a eventos inesperados desse tipo. O COVID-19 aumentou a atenção sobre fatores de risco, incluindo ameaças à saúde pública, interrupções na cadeia de suprimentos e flexibilidade operacional. É muito provável que as partes interessadas estejam examinando a empresa de forma ainda mais atenta e com expectativas diferentes. É necessário iniciar um diálogo direto para entender sobre suas novas prioridades e aproveitar a oportunidade para levantar ideias sobre como agir melhor. Nesse sentido, a Truvalue Labs lançou um painel dedicado, o Coronavirus ESG Monitor, e um conjunto de dados exclusivos COVID-19, ambos gratuitos para o público. O Gráfico abaixo mostra os setores que dedicaram mais atenção a COVID-19. Os setores de Saúde, Linhas de Cruzeiro e Carnes, Laticínios e Aves receberam a maior atenção do COVID-19 entre as indústrias.

Além disso, o contexto de engajamento de stakeholders deverá ser revisto, deve haver um processo de inovação no modo como engajamos, e não será simples. Teremos que manter a qualidade do engajamento e o acesso a todas as partes interessadas de maneira remota/on-line já que devemos seguir com o distanciamento social.

3. Escopo dos impactos e influência da pandemia no negócio O boom do e-commerce está exigindo maneiras diferentes de atuar dos varejistas, empresas de transporte e prestadores de serviços. Os provedores de telecomunicações são mais do que nunca responsabilizados pelo fornecimento de acesso à internet omnipresente e ilimitado. O futuro do turismo, hotéis e restaurantes será muito diferente. Produtos médicos, sanitários e de limpeza entraram em novos mercados, mas também devem atender a padrões mais elevados. Os riscos para a cadeia de suprimentos podem se tornar visíveis em todos os setores. Todos esses fatores vêm com questões ambientais, sociais e de governança adicionais a serem consideradas, ou contribuem para aumentar a importância das questões existentes. Conforme mostrado pelo Sustainability Accounting Standards Board (SASB), a maioria das questões ESG é específica do setor (O Sistema de Classificação da Indústria Sustentável da SASB [SICS] é composto por 11 setores e 77 indústrias.) No entanto, quando algo universalmente impactante acontece em um período de tempo muito concentrado, um problema pode se tornar material para todas as empresas de todos os setores. A questão é de que maneira seu impacto está sendo sentido e o que pode ser feito sobre isso. O gráfico abaixo, também da Truvalue Labs, ilustra como o COVID-19 se tornou um problema material em um período muito curto de tempo. O tópico passou de praticamente zero em meados de janeiro para mais de 60% do volume total de informações sobre questões do SASB apenas três meses depois. Nas últimas semanas, o conteúdo relacionado ao COVID-19 parece ter atingido um platô.

O novo conjunto de dados fornece métricas importantes que detalham a crescente prevalência do COVID-19 em setores, indústrias e regiões, bem como o impacto do COVID-19 através das lentes de diferentes categorias de ESG, conforme definido pelo SASB. Por exemplo, o gráfico abaixo mostra que Saúde e segurança dos funcionários, Práticas trabalhistas, Acesso e acessibilidade, Qualidade e segurança do produto e Gestão da cadeia de suprimentos surgiram como questões materiais para todas as empresas durante a crise do COVID-19 e dominam todas as outras categorias de ESG. Observe que a Saúde, Segurança e Práticas Trabalhistas dos funcionários representam uma parcela desproporcional do volume. De acordo com Michael Symonds, chefe de pesquisa de grau de investimento da NN Investment Partners, "as visualizações reforçam o motivo pelo qual reavaliamos constantemente a materialidade ESG em nosso processo de investimento". Seis categorias principais mantêm uma parcela constante de conteúdo relacionado ao COVID-19. O grupo "Outras categorias" abrange outros 20 fatores da SASB.

Como o Covid-19 afeta sua matriz de materialidade? “Todos testemunhamos que as dimensões do capital social e humano se tornam importantes após a crise atual, e a capacidade de analisar e avaliar essas implicações é crítica para nossos investimentos", disse Martin Slipsager Frandsen, gerente de portfólio da Danske Bank Asset Management. “Nosso rastreamento rigoroso das medidas adotadas pelas empresas de nosso portfólio para conter e combater os impactos do Covid-19 exige dados oportunos. O novo Monitor Coronavirus ESG fornece informações valiosas em apoio à nossa abordagem para capturar dinamicamente o que é material para nossas decisões de investimento.” Em resumo, para uma organização ligada à saúde, uma empresa de biotecnologia ou farmacêutica especializada em virologia, a pandemia e seu combate e prevenção devem ser centrais à sua matriz de materialidade neste momento e em cenários futuros. Para outros setores, é importante considerar seu impacto nos negócios sob uma perspectiva geral de risco e oportunidade. Dependendo do setor, podem estar ocorrendo mudanças específicas que podem exigir ajustes em sua estratégia de sustentabilidade e de suas definições de materialidade. Concluindo-se, a mensagem é clara: as partes interessadas esperam mais das empresas em seu papel de cidadãos corporativos em um mundo pós-Covid-19. Qualquer esforço da empresa para combater essa pandemia deve ser ressaltado. Ele também precisa ser colocado em perspectiva e incluído nas estratégias futuras de sustentabilidade, além dos comunicados de imprensa da empresa. O cenário está mudando a cada dia e de maneira diferente em cada país. O ideal é pensar em uma revisão que possa estruturar o relatório de sustentabilidade de 2020 e refletir o novo contexto.

Referências: 1) https://www.forbes.com/sites/bobeccles/2020/04/19/dynamic-materiality-in-the-time-of-covid-19/#1b05264c4f07 2) https://www.csreurope.org/newsbundle-articles/the-impact-of-covid-19-on-7corporate-reporting 3) https://www.finchandbeak.com/1574/refreshing-your-materiality-matrix-after.htm 4) https://www.bsr.org/en/our-insights/blog-view/sustainability-reporting-and-early-lessons-from-covid-19 5) https://www.bsr.org/en/our-insights/blog-view/a-post-covid-19-agenda-for-sustainability-reporting

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