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ECONOMIA CIRCULAR E ARRANJOS PRODUTIVOS

O conceito de economia circular questiona o conceito de “lixo”. Trata-se de um novo olhar que transforma o gerenciamento de resíduos em uma reintegração na forma de novos produtos e processos aumentando assim o ciclo de vida. O rápido crescimento econômico está aumentando a quantidade de resíduos nos mercados emergentes para níveis além do que a infraestrutura atual suporta e necessitamos de soluções que reduzam o descarte e diminuam o esgotamento de recursos naturais.


Economia circular não é só ser eficiente, é fazer diferente, observar novas formas de gerar valor e de desenvolver produtos e serviços. O processo produtivo comum é o da economia linear que tem como prática extrair, produzir e descartar. De maneira simplória é um processo de entrada de insumos e saída de produtos prontos para consumo, e dentro do próprio processo de produção também existem resquícios “não úteis” resultantes do produto foco individual:

Crescimento econômico depende do consumo de recursos finitos, o que traz risco iminente de esgotamento de matérias-primas. Com menos recursos disponíveis, há custos cada vez mais elevados de extração, o que traz instabilidade e insegurança em relação ao futuro.

Partindo de vários eventos, estudos e projeções sobre os efeitos desses resíduos descartados desproporcionalmente no meio ambiente, houve a necessidade de criar uma economia ambiental. A economia ambiental considera que há valor a ser ponderado no que denominam como “sobra”, busca um processo produtivo sustentável em série fechada e otimiza o uso dos recursos possibilitando ciclos contínuos.

Muitas empresas/indústrias realizam a comercialização de suas “sobras” para indústrias que as utilizam para outros fins como sobras de plástico, alumínio, rebarbas etc., porém, na maior parte dos casos esse processo de recolhimento se torna custoso, pois exige uma logística especializada e nem todo material é comercializado. Através de um novo arranjo, podemos encurtar distancias entre os atores e abrir a possibilidade de aproveitamento de materiais que seriam descartados e entregues a aterros sanitários.


Quando empresas se conectam por proximidade geográfica, nos chamados clusters industriais, consequentemente há um somatório de impactos ambientais negativos gerados na região, mas também oportunidades nesse aspecto. Esse processo proporciona diversas vantagens que devem ser potencializadas, em logística, como o estabelecimento de ações conjuntas, maiores investimentos em conhecimento e tecnologia, entre outros. Esse regime é denominado de Arranjos Produtivos Locais (APL’s) e conta com empresas relacionadas a uma mesma especialização produtiva, onde os ganhos tendem a ser maiores.


No cenário nacional temos a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) suportada em lei criada em 2010, alguns acordos setoriais, responsabilidade compartilhada e principalmente a logística reversa, que é um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.


A transformação da economia linear para economia circular se dá também pelo fato de considerarmos alguns riscos futuros como:


  • Escassez de suplementos (pensando em matérias primas não renováveis);

  • Competitividade, visto que o consumidor está cada vez mais atento, consciente e exigente;

  • Risco de sobrevivência do negócio, visto que a cadeia produtiva está mais competitiva e falta colaboração e transparência.

Para alavancar o potencial de soluções da economia circular existem quatro pontos chaves que precisam ser abordados para tornar essa visão mais factível:


1. Tecnologia - importância de integrar todos os atores através de um olhar de engajamento; a tecnologia por si só não serve como uma solução completa para um novo negócio circular.

2. Escala - Necessidade de estabelecer uma visão de longo prazo e de retorno.

3. Parcerias - Trabalhar olhando para soluções sistêmicas, e contemplar a necessidade real de colaboração entre os diversos atores para que a solução seja realmente circular.

4. Percepção de valor - A percepção de valor e o papel de liderança das empresas alinhados com a nova visão do consumidor dentro da era digital.


Integrando esses aspectos, a economia circular contribui para uma das principais características dos APL’s, que é o caráter de colaboração entre as diversas organizações envolvidas, um tipo de capital que vai além dos critérios econômicos, muitas vezes trazendo questões levantadas para tratar sobre soluções que sejam realmente conectadas e sistêmicas para lidar com as dores da cadeia produtiva, pensando no ciclo reverso de todo produto que é desenvolvido hoje.


Por meio de engajamento podemos ganhar escala nas soluções, trazer uma saída única para a nossa realidade e impulsionar essa nova economia. Pensando no design de produção desde o início, criando um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis.